GUIA DE GERENCIAMENTO DE ESPAÇO NO LINUX (DEBIAN)

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1. Entendendo o comando.  O comando sudo du -hsc /* | sort -h faz o se guinte: du : (Disk Usage) Calcula o uso do disco. -h : (Human Readable) Mostra em KB, MB, GB. -s : (Summary) Exibe apenas o total de cada pasta, sem listar cada subarquivo. -c : (Total) Cria uma linha de "total" no final. /* : Analisa todas as pastas a partir da raiz. sort -h : Coloca os resultados em ordem crescente de tamanho. 2. Por que aparecem erros de "Arquivo inexistente" ou "Permissão negada"? Isso acontece geralmente com as pastas /proc , /sys e /run . Elas não são pastas reais no HD; são "sistemas de arquivos virtuais" criados pelo Kernel na memória RAM. Como os processos mudam a cada milissegundo, o arquivo existe quando o du começa a ler, mas desaparece antes dele terminar. Pode ignorar esses erros sem medo. 3. Onde os arquivos costumam se esconder (Caminhos Comuns) /home: Arquivos pessoais (Documentos, Vídeos, Downloads) e caches de navegadores. /var/log: Re...

Voto facultativo: por que não temos no Brasil?

     * Por Bruno André Blume, João Henrique Guidorizzi


   Publicado em:

     * 22/07/2021


   Atualizado em:

     * 22/07/2021


   No Brasil, o voto não é facultativo, sendo assim obrigatório para todos

   os cidadãos com mais de 18 e menos de 70 anos de idade. Isso representa

   cerca de 85% dos 147 milhões de eleitores. Apesar disso, temos níveis

   relativamente altos de abstenções, bem como de votos brancos e nulos.

   Tomemos como exemplo o pleito de 2018:

     * No primeiro turno, 29,9 milhões de eleitores não compareceram às

       urnas. Outros 7,2 milhões anularam o voto e 3,1 milhões optaram

       pelo voto em branco. Somados, foram mais de 40 milhões de votos

       invalidados. Esses números superaram a votação do segundo candidato

       mais votado na disputa presidencial, Fernando Haddad, que teve 31,3

       milhões de votos.

     * No segundo turno, os ausentes chegaram a 31 milhões e, ao contrário

       da eleição de 2014, houve aumento dos votos nulos (8,6 milhões). Os

       votos em branco diminuíram (2,4 milhões), mas ainda assim o nível

       de votos inválidos se manteve semelhante ao primeiro turno.


   Portanto, algo próximo a 30% dos eleitores invalidam seu voto de alguma

   forma nas eleições brasileiras, praticamente um em cada três. Níveis

   semelhantes são observados nas eleições municipais. Mesmo levando em

   conta que 14% dos eleitores não precisam votar (o que engloba menores

   de 18, maiores de 70 e analfabetos), chegamos à conclusão que boa parte

   do eleitorado prefere não votar ou então não dedica seu voto a nenhum

   candidato. A rejeição ao voto obrigatório também se mantém de forma

   estável, em uma tendência negativa. Pesquisa de opinião do Datafolha de

   2020 revelou que 56% dos brasileiros são contra essa obrigatoriedade.


   É por conta desse fenômeno que especialistas apontam que o voto

   facultativo – ou seja, situação em que os cidadãos podem optar por não

   votar – já é uma realidade prática no Brasil. Apesar do que está

   disposto em lei, as pessoas não encontram maiores embaraços ao não

   votar. Muita gente advoga, inclusive, o fim do voto obrigatório. Essa

   medida seria benéfica para o país? Quais os prós e contras de adotar o

   voto facultativo?


O que diz a lei brasileira sobre o voto?


   A Constituição Federal, documento mais importante na redemocratização

   do País e vigente desde 1988, prevê que o voto é obrigatório para todos

   os maiores de 18 (dezoito) anos (inciso I, §1º do art. 14).


   Para os maiores de 16 (dezesseis) e menores de 18 (dezoito) anos, além

   dos maiores de 70 (setenta) anos e para os analfabetos, o voto é

   facultativo (inciso II, §1º do art. 14).


   O voto no Brasil – e a exemplo de outras democracias – tem como

   principal objetivo a participação popular na escolha dos seus

   representantes. O Politize! preparou um conteúdo específico sobre a

   história do voto, que você pode acessar aqui.


O que pensam as pessoas favoráveis ao voto obrigatório?


   Favoráveis ao voto obrigatório expõem algumas razões segundo as quais

   essa regra deveria ser mantida.


   Em primeiro lugar, o atual estágio da democracia brasileira não

   permitiria o voto facultativo. Grande parte da população brasileira

   ainda vive em estado de pobreza e baixo nível de escolaridade. Essas

   pessoas podem não ser familiarizadas com os seus próprios direitos,

   como o direito de votar. A tendência é que o voto facultativo retire

   das urnas justamente populações em vulnerabilidade social.


   O segundo argumento é que o voto tem efeito pedagógico. A obrigação de

   votar força todos os eleitores a pensar na política nacional, mesmo que

   apenas a cada dois anos. O resultado de longo prazo seria a formação de

   uma sociedade com uma cultura política forte, em que o hábito de votar

   e se informar sobre política é comum à maior parte da população.


   O ex-senador Pedro Simon tem pensamento semelhante: “O brasileiro está

   querendo participar mais da realidade do seu país. A mágoa que eles têm

   de nós, políticos, as críticas que eles fazem à classe política, são

   fruto dessa preocupação que eles têm hoje e que não tinham no passado”.

   Ainda, completa que o povo, pelo hábito frequente de votar, esteja

   “querendo votar melhor”.


   O terceiro argumento é que o voto obrigatório faz com que mais da

   metade dos eleitores participem das eleições, o que confere mais

   legitimidade aos seus resultados. Nunca aconteceu no Brasil de mais de

   50% dos eleitores se ausentarem. Dessa forma, evitam-se maiores

   controvérsias quanto à credibilidade das nossas instituições, algo

   importante em um país com uma história político-institucional bastante

   instável.


   Por fim, temos a questão do custo-benefício. Tendo em vista o risco que

   o voto facultativo traria (menos credibilidade aos resultados das

   eleições, por conta do baixo comparecimento), o voto compulsório é uma

   boa solução, já que o eleitor não é seriamente afetado e o sistema

   eleitoral é beneficiado (pela participação maciça dos eleitores).


E quem defende o voto facultativo?


   Agora, vejamos alguns argumentos de quem defende o voto facultativo a

   todos os eleitores. O primeiro é que o voto deve ser visto como

   direito, e não dever. O eleitor tem todo direito de participar da

   eleição, se quiser, assim como deve ter direito de se abster se assim

   preferir.


   Pode ser que ele não se sinta apto a escolher algum dos candidatos, ou

   que ele não tenha certeza de qual deles é o mais qualificado, ou então

   simplesmente não querer dar seu voto a nenhum candidato. São todas

   opções válidas e democráticas, mesmo aquelas em que a opção é

   simplesmente a abstenção.


   Este é o ponto defendido pelo senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES).

   Segundo ele, “não se pode obrigar alguém que não se interesse

   minimamente pela coisa pública a escolher entre candidatos sobre os

   quais nada sabe e que, se eleitos, cumprirão funções que ignora quais

   sejam”.


   O segundo argumento dos defensores do voto facultativo é que

   praticamente a totalidade das democracias concede a liberdade de não

   votar a seus cidadãos. Para ser mais preciso, 85% dos países adotam o

   voto facultativo atualmente, de acordo com dados do ACE Project.


   Isso inclui a quase totalidade dos países desenvolvidos na América do

   Norte, na Europa e também alguns vizinhos nossos, como Colômbia e

   Chile. Apenas 19 países – entre eles o Brasil e boa parte da América do

   Sul – adotam o voto obrigatório.


   voto-facultativo-infografico


   Que tal baixar esse infográfico para consultar quando precisar? Clique

   aqui


   O terceiro argumento é que voto facultativo seria praticamente sinônimo

   de voto consciente. Com a liberdade de não participar das eleições,

   tenderiam a votar apenas aqueles que realmente se interessam por

   política e que, portanto, teriam mais conhecimento sobre o assunto.

   Isso diminuiria as chances de candidatos corruptos ou incompetentes se

   elegerem. Uma pessoa que vota apenas porque é obrigada a fazer isso tem

   maior propensão a fazer um voto irrefletido.


   O senador Reguffe (PDT-DF) vai ao encontro deste argumento, uma vez

   que, segundo ele, “o voto facultativo vai melhorar a qualidade da

   representação política. Muitas pessoas votam sem fazer a reflexão

   devida que esse gesto precisa e merece”, observa.


   Por fim, os defensores do voto facultativo discordam que o voto

   compulsório seria capaz de fomentar uma consciência política na

   população. Se assim fosse, argumentam, o Brasil já teria resolvido a

   maior parte de seus problemas políticos e sociais, uma vez que o voto

   compulsório já nos acompanha há mais de 80 anos.


   As verdadeiras soluções para fortalecer a cultura política do nosso

   país seriam outras, como dar um salto de qualidade na educação básica,

   resolver o problema da desigualdade econômica e superar as demais

   mazelas do subdesenvolvimento. Esses são fatores que impedem que boa

   parte da população conheça seus direitos e compreenda o que de fato

   acontece na nossa política.


   E você, qual a sua opinião sobre o assunto? Você ainda compareceria às

   urnas se pudesse escolher não votar?


Texto publicado em 28 de setembro de 2016. Atualizado em 22 de julho de 2021.


   Quem escreveu este conteúdo?


João Henrique Guidorizzi


   Paulista e advogado, é formado pela Universidade Metodista de São Paulo

   e pós-graduado em Direito do Trabalho pela PUC/MG. Acredita que a

   educação e o acesso ao conhecimento de forma universal são pilares

   indissociáveis de uma democracia forte.

   Confira mais textos deste(a) redator(a)


Bruno André Blume


   Bacharel em Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa

   Catarina (UFSC).

Fonte: Politize


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